ASSENTAMENTO CALIFÓRNIA

08/12/2010

CONHEÇA OS ESCRAVOCRATAS

Debruçado há meses sobre relatórios do INCRA, e sobre processos criminais e trabalhistas do trabalho escravo no Maranhão, comecei a entender melhor sobre cada personagem envolvido com o tema. Finalmente conseguimos ter uma visão verídica do perfil de quem prática este crime no Estado do Maranhão.

Muitos dos fatos são idênticos. A primeira deles é a grande concentração de terras. A maioria das propriedades flagradas é de tamanho superior a dois mil hectares, apesar de ter propriedade que somam quase 20 mil, como é o caso da Fazenda Maratá de José Augusto Vieira, dono do Grupo Maratá.

A maioria destes proprietários escravocratas flagrados possui varias propriedade. E mais uma vez se destaca José Augusto Vieira, que no relatório afirma ter 12 fazendas só no Maranhão, e que não sabem qual o tamanho delas.

Outras características destes, é que, a maioria vem das regiões sudeste e centro oeste do país, alguns ainda até moram por lá mesmo, ou seja, como não vivem aqui entregam suas propriedade para terceiros, e estes por sua vez acabam agravando as relações trabalhistas. E talvez esta seja uma das metas quando se terceiriza o trabalho nas fazendas, que é livrar o proprietário das responsabilidades com os trabalhadores.

A maioria dos relatórios aponta que os proprietários jogam a culpa pelas condições em que os trabalhadores são encontrados nos chamados “Gatos” (responsáveis pelo serviço terceirizado, uma espécie de gerente). Quanto a isto os relatórios são bem claro quase todos os pagamentos dos trabalhadores são realizados por estes administradores.

Comum também entre estes, é a definição de que não cometeram crime algum. Vários deles nos relatório usaram o termo de que a situação nas quais os trabalhadores são encontrados é comum no estado É o que disse o pecuarista Marco Antonio Braga em um dos seus depoimentos por envolvimento com trabalho escravo, afirmando ainda “que é comum não assinar carteira de trabalho nestas terras do Maranhão e que fazer as necessidades fisiológicas no mato é comum”. E assim se constrói um imaginário de que a situação de exploração nas fazendas e carvoarias são coisas tão naturais.

O trabalho escravo no Maranhão está por todas as partes, a partir de pesquisa nos relatórios se visualiza que em todas as regiões nas mais diversas atividades, já houve prática de trabalho “análogo a de escravidão”. Porém é a pecuária a atividade com maior incidência de casos de exploração da mão de obra escrava.

É importante enfatizar ainda, que a pecuária não é desprovida de recurso que não possa buscar melhorias de condições para os trabalhadores. Miguel de Souza Rezende, um dos maiores pecuaristas do estado, tem uma empresa “Rezende Agropecuária”, três grandes propriedades no sudeste do estado, foi seis vezes flagrado mantendo trabalhadores em condições de escravo. Voltando a José Augusto Vieira, este também é dono de diversas empresas que vão desde instituições de educação ao ramo de alimentos. José Augusto inicia seu império na década de 70 quando dedicava-se à comercialização de fumo e agropecuária. Hoje, a “Fundação” é um conglomerado de empresas, uma destas é a 3ª maior empresa do Brasil na industrialização do café, sendo a maior torrefadora de capital 100% nacional, o grupo é forte na exportação de sucos concentrados, e no segmento de embalagens plásticas e produção de tabaco.

No conjunto dessas Unidades, o Grupo conta com quase 4000 colaboradores diretos. (Industria de Alimentos Maratá, Agro-maratá, Maratá Industria de Copos Descartáveis, Faculdade José Augusto Vieira). Com toda esta estrutura não é possível acreditar que não há condições de um milionário destes investir uns poucos de R$ na instalação de sanitários em suas fazendas para um uso higiênico por parte dos trabalhadores.

Outro pecuarista dotado de grande estrutura é Shydney Jorge Rosa, dono de mais de 100 mil há só em Paragominas e da Rosa Madeireira LTDA, onde seus trabalhadores passavam a noite antes de ser conduzido para a fazenda. Ex-prefeito daquela cidade, atual suplente de senador, foi muito cotado nos últimos anos para disputar o Governo do Pará, mas sua candidatura foi a deputado estadual sendo eleito. Hoje é vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Pará.

Outra característica importante no perfil do escravocrata é a relação com a política. Muito destes, como foi citado com “Sidney” Rosa, são apoiadores de grupos políticos ou os próprios políticos como Fufuca Dantas, Deputado Estadual no Maranhão que teve candidatura a reeleição impugnada por desvio do dinheiro é ex-secretário de Minas e Energia do governo Roseana Sarney. Ele lançou e elegeu seu filho André Fufuca deputado estadual. Outro nome muito famoso é de Antonio José de Assis Braide, ex-prefeito de Santa Luzia marido da ex-deputada Janice Braide.

 

Em pleno mandato deputado estadual Antônio Bacelar teve sua fazenda também flagrada, na ocasião duas mulheres, uma delas com seu filho de quatro anos viviam em um curral na Fazenda São Domingos, pertencente ao membro da Assembléia Legislativa do Maranhão. Outro político escravocrata é o prefeito de Codó (MA) José Rolim Filho, o Zito Rolim, na sua Fazenda São Raimundo, foram libertados 24 trabalhadores em condições análogas à escravidão, entre eles um jovem de 17 anos.

 

O perfil dos escravocratas vai mais além da política. Em 2007 um “Juiz” de direito, da Comarca de Imperatriz, teve sua fazenda flagrada com trabalhadores em condições de escravidão, um dos trabalhadores tinha 17 anos. Com o sobre nome muito estranho para nós brasileiros, claro muitos dos detentores destas terras ainda são descendentes de europeus.

 

Mas, dentre todas as famílias que aparecem nos relatórios, uma é emblemática, a família “Andrade” dos irmãos Jairo e Gilberto Andrade. O primeiro, já falecido, recebeu nove autuações por trabalho escravo. Teve seu nome incluído na Lista Suja do Ministério de Trabalho. Condenado por manter 97 trabalhadores escravizados na Fazenda Forkilha ainda é acusado de matar 56 posseiros. Gilberto Andrade recebeu igual condenação por trabalho escravo na fazenda Boa Fé, em Centro Novo (Maranhão) chegando a ser preso em 2005. Apesar de denunciado por trabalho escravo, desde final dos anos 60, os irmãos Andrade nunca deixaram de receber recursos públicos da SUDAM e outras instituições financeiras, como prever o propósito da Lista Suja.

 

A prática e o envolvimento com outros crimes pode levar em consideração no perfil destes. Envolvimento com assassinatos, no caso dos políticos com desvio de recurso publica e até com roubo de carga, no qual Miguel Rezende foi acusado.

 

Mas o mais comum entre estes é a unidade em defender a classe, todos falam pela mesma boca negando a existência do trabalho escravo, chegando a afirma que eles é que são vitima de escravidão por conta dos peões.

 

Político, empresários milionários, grandes fazendeiros, juízes. A lista destes prova que os escravocratas são pessoas bem sucedidas em seus negócios. Se conseguiram tal façanha as custas da escravidão de seres humanos, não podemos afirmar. Porém nossas buscas, nas falas registradas de fiscais do trabalho, procuradores, policiais federais, juízes trabalhadores, e dos próprios escravocratas deixa claro que a escravidão existente hoje não vem de um povo ingênuo, e sim de um grupo articulados em idéias e recursos para poder lucrar ainda mais.


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 17:51:01
[] [envie esta mensagem] []


11/05/2010

MAIO: DOIS SÉCULOS DEPOIS

Por: Reynaldo Costa

 

 

Imagine uma fábrica uma empresa, sem limites de horários e de dias para o trabalho de seus empregados. Imagine sair as 3hs da manha para o trabalho e retornar às 8 horas da noite. Imagine ainda o trabalho sem instrumento algum de proteção, e os alimentos em casa que não dá pra repor as energias gastam no trabalho do dia passado.



É por estes motivos que o 1º de Maio é importante. Definido como Dia Mundial do Trabalho, muitos festejam este dia, mas muitos outros preferem também tornar ele o Dia de Luta Internacional dos Trabalhadores. Foi neste dia, no ano de 1891, em Paris, trabalhadores socialistas dos países industrializados da época, reunidos num congresso da Internacional Socialista, consagraram esta data como o dia da luta pelas 8 horas de trabalho.

 

Naquele tempo, os operários viviam numa grande miséria e tinham que trabalhar 12, 15 e até 18 horas por dia. Não havia descanso semanal nem férias. Não havia lei nenhuma para o mundo do trabalho. A filosofia liberal burguesa da época não admitia que se fizessem leis para os trabalhadores. Vigorava a lei do cão. A lei do patrão.

Nesta época há homens, mulheres e crianças, não eram permitidos direitos, apenas deveres. Deveres que custavam a saúde e a vida de muita gente. Uma sociedade organizada de acordo com os interesses dos donos das fábricas, lojas, armazéns, bancos, transportes e tudo mais. Não existiam leis. O Estado não podia fazer leis que regulamentassem as relações entre capital e trabalho.

 

Alem das dificuldades nas fabricas o trabalhador enfrentava uma batalha maior em casa, e cansado, sujo sem roupas para trocar, via a família passar todo tipo de necessidade, inclusive fome, mas como passar fome se era ele quem produzia? No dia seguinte este trabalhador estava de vota a fabrica. Ainda mais cansado e ferido na sua condição humana, muitos morriam de esgotamento físico por trabalhar de mais.

 

Mas houve os que reagiram e a história passou a mudar com a organização dos trabalhadores que começam a reivindicar melhores condições de trabalho. No entorno dos anos de 1800, começaram as lutas pela redução da jornada de trabalho. Ocorreram manifestações e revoltas. Eram as primeiras reivindicações da classe operária organizada.

 

Mas nunca foi fácil fazer luta por melhorias de vida e muitos patrões respondiam com mortes, prisões e perseguições dos lutadores operários. Tudo o que os trabalhadores conquistaram foi fruto de muita luta, mobilização, organização, resistência, que em muitos casos custou até a vida de vários. Foi com luta que se conquistou a jornada de oito horas diárias, a partir de 1910. Foi com luta que se conquistou férias, descanso aos domingos, seguridade social, indenização por acidente, aposentadoria. Enfim, tudo.

Hoje, no começo da segunda década do século XXI, a classe trabalhadora do mundo todo, em sua grande maioria, está perdendo o que conquistou em 200 anos de lutas.

 

As políticas neoliberais vieram destruir todas as conquistas dos trabalhadores. É o velho liberalismo que voltou com novo nome. As políticas são as mesmas do início do trabalho nas fábricas, lá pelos anos de 1800 e tantos.

 

 

È por esta história e por estes acontecimentos atuais que o maio é importante, pra lembrarmos-nos das conquistas históricas obtidas em um passado longe de nós. E para refletirmos a necessidade de mantermos erguida a bandeira de justiça dos companheiros que deram suas vidas para que hoje pudéssemos descansar nos domingos. O maio é importante pra tornamos a tomar as ruas e reivindicarmos novos e mais direitos para os trabalhadores de hoje e para os que vêm depois de nós.

 

 


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 15:39:32
[] [envie esta mensagem] []


10/05/2010

24 anos sem Padre Josímo

 

Por: Reynaldo Costa

 

Em 10 de maio de 1986, era assassinado um defensor dos trabalhadores rurais. Há 24 anos, o padre preto de sandálias surradas, como era conhecido Josimo Morais Tavares, símbolo de resistência contra a opressão foi assassinado, em Imperatriz, no Maranhão, por latifundiários da região.

 

Nascido em uma família humilde, Josimo nasceu em Marabá (PA),  na beira do Rio Araguaia quando sua mãe estava a lavar roupas, era páscoa de 1953, parecia uma história já contada a milhares de anos. 

Depois de mudar para Xambioá, no Tocantins, quando ganha uma irmã, que logo morreu de desnutrição.

 

 

Aos 11 anos, parte para Tocantinópolis onde passa a estudar em um seminário. De lá, ruma à Brasília, depois para Aparecida do Norte (SP) até que chega em Petrópolis (RJ) para estudar no seminário franciscano. O teólogo Leonardo Boff, um de seus professores, lembra do aluno paraense: “Ele era muito quieto e equilibrado. Era decidido. Optou por trabalhar com os pobres e nunca se desviou”.

 

A opção pela Vida

 

No Brasil é muito difícil ser ser pobre, negro e filho de camponeses,por conta disto  Josimo foi alvo de muitos preconceitos. Quando terminou os estudos em Petrópolis, decidiu voltar à Xambioá, para dedicar sua vida à causa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Se torna padre em 1979.  

 

 

E no momento da formação reflete “Não quero ser padre de escritório, mas não quero ser padre burro. Gostaria de ser letrado como um teólogo, ao mesmo tempo que humilde e simples o suficiente para poder trabalhar com o povo”. Depois de se tornar padre, se mudou para Wanderlândia, onde iniciou seu trabalho com os pobres, atuando em uma escola secundária e assumindo o trabalho da Pastoral da Juventude da cidade. Foi lá que compreendeu como a concentração da terra era o problema mais urgente da população da região.

 

 

Também foi coordenador da pastoral da Diocese, atuando na região do Bico do Paraguaio, que compreende norte do Tocantins, sul do Pará e oeste do Maranhão, área conhecida por intensos conflitos de disputa pela terra e que anos antes havia sido o cenário da guerrilha do Araguaia, uma das regiões mais violentas do Pais na época. Logo depois se tornou um dos coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Josimo passou a denunciar os grileiros de terra, a opressão dos latifundiários contra os lavradores e a defender os direitos do povo, conscientizando-os sobre sua força.

 

 

Por suas idéias e ações, causou ódio aos fazendeiros da região, passando a receber diversas ameaças de morte. Em abril de 1986, Josimo sofreu um atentado, mas as balas não o atingiram. Consciente do risco que corria por defender seus ideais, escreve um testamento onde reafirmou seus compromissos com o povo pobre. Um mês depois deste ataque, foi assassinado com dois tiros pelas costas quando subia as escadarias do prédios onde funcionava o escritório da CPT em Imperatriz. Um assassinato corvade, mostrando a cara do latifúndio

Uma de suas ultimas escrita chamada de “Testamento”, o Padre reafirma a sua fé na luta e o seu compromisso com o evangelho, “... A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar ".

 

Os mandantes

 

Anos depois do crime, as investigações policiais identificaram o pistoleiro Geraldo Paulo Viera como o assassino. Condenado a 18 anos e 6 meses de prisão, ele fugiu três vezes da cadeia e foi morto em um assalto a banco.

 

 

Outros responsáveis pelo crime também foram condenados: Adailson Vieira teve pena de 18 anos, Osmar Teodoro da Silva, na época presidente da Câmara de Vereadores de Augustinópolis (TO) foi condenado a 19 anos e Guiomar Teodoro da Silva e Vilson Nunes Cardoso, a 14 anos. Um outro acusado, João Teodoro da Silva faleceu antes de ser julgado.

 

 

Outros dois acusados, Nazaré Teodoro da Silva e Osvaldino Teodoro da Silva, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri. A sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, mas os réus recorreram para o Supremo Tribunal Federal.

 

 

O crime continua impune e agora prescrito. As famílias continuam sua luta e os conflitos na região ainda são numerosos.

 


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 11:29:47
[] [envie esta mensagem] []


20/04/2010

Acampados há 13 anos podem ser despejados, e risco de conflito é iminente

 

 

Por: Reynaldo Costa

O Juiz Armindo dos Reis Neto, da Comarca de Porto Franco, no sudeste do Maranhão determinou dia 30/04 como ultimo prazo pro INCRA se posicionar sobre terra ocupada há treze anos pelo MST.

 

O Juiz definiu este prazo depois de um pedido formal do Desembargador e ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho que se comprometeu a comparecer em Imperatriz para uma audiência com o Movimento Sem Terra na próxima terça-feira, 27/4. 


Na fazenda Conhecida como Lote 7, que tem 1,8 mil ha, vivem 75 famílias desde agosto de 1997, produzindo para sua sobrevivência. No local, muitas casas já foram construídas e muitos investimentos foram feitos, como sítios e plantios de culturas perenes. A situação no local é de desespero e tensão, pois num há nenhum outro local para onde as famílias irem e temendo o pior prometem resistir. 


A terra, que já deveria servir à Reforma Agrária, passou por uma vistoria em 2007. Porém, por negligência do Incra, que não publicou o processo em editais, assessores jurídicos do latifúndio conseguiram anular a vistoria. Em julho de 2008, os trabalhadores conseguiram através de uma mobilização nova vistoria por parte do Órgão e agora aguardam o decreto de desapropriação.

 

A área pertence a Silvio Ianni, um dos maiores criadores de suínos do país e dono de uma grande empresa de transportes de São Paulo, financiadora de grupos políticos que impedem a desapropriação da Lote 7. Segundo a coordenação do MST na região, a pressão pelo despejo está vindo de empresas produtoras de cana na região, a Caiman S/A - Açúcar e Álcool e a Maity Bioenergia S.A, que tem interesse na área.

 

A Polícia Militar já fez todo o levantamento do que será necessário para realizar o despejo no próximo dia 30. O MST no Maranhão prepara mobilização para semana que vem e manter a resistência contra o despejo.

.


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 20:57:43
[] [envie esta mensagem] []


12/04/2010

Debates e protestos contra a Vale no Maranhão

 

Por: Reynaldo Costa

 

A Caravana dos Povos em Maranhão e Pará encerrou, em Açailândia Maranhão,  neste sábado, 10, suas atividades com uma grande plenária e vários protestos contra a Vale na região.

 

Reunidos  desde a segunda feira, 05, a Caravana, composta por representantes de seis países, percorreu várias cidades do Pará e Maranhão debatendo os impactos da Mineradora Vale e trocando experiências de lutas dos diversos países contra a Empresa.

 

O Estado do Maranhão é um dos mais atingidos pelos empreendimentos criminoso cometidos pela Vale, crimes tanto trabalhistas como de responsabilidades de seguranças nos seus trilhos que percorrem cerca de 600 km pelo Estado. Marlúcia de Azevedo do Fórum de Políticas Publicas de Buriticupu relata que por onde os trem da Vale passa fica um rastro de destruição, social, econômico e ambiental. ela relata que a maioria dos funcionários da Vale, no Município se deslocam as 3hs dá madrugada para o trabalho, os mesmo não recebem horas inteires e ainda levam a comida de casa feita na madrugada e muitas vezes no dia anterior, são os chamados bóias-fria da Vale.

 

A Vale detém quase 200 mil hectarie de terras no Maranhão cerca de 65 mil destes com cultivo de eucalipto e ainda visa expulsar assentados da região oeste onde a empresa pretende explorar bauxita, para isto a mesma já tem licença da Secretaria de Estado de Maio Ambiente.

 

Os crimes da Vale.

 

A Vale é a maior mineradora do planeta, e por onde estão seus empreendimentos reside lamentáveis acontecimentos, muitos até de morte. Como é o caso relatado na plenária de sábado, realizada na Câmera Municipal de Vereadores de Açailândia, onde moradores  de Alto alegre do Maranhão afirmam o triste numero de que por mês uma vida humana é destroçada pelo trem da Vale ao longo dos cerca de 50 km de ferrovia pelo Município. 

 

Cerca de 10 trem partem todo os dia da Serra dos Carajás em Parauapebas-PA para São Luis -MA, trens que chegam a 400 vagões com um peso médio de 21 tonelada cada um. Os povoados e cidades próximo as ferroviárias  tem a estrutura de suas casas danificadas, poços estourados, devido o peso do trem, fazendo com que a população consuma água de péssima qualidade.

 

No distrito de Piquiá, em Açailândia, uma comunidade de quase 15 mil habitantes vive sob uma imensa poluição tóxica e rodeada de dejetos resultados das atividades de 5 siderúrgicas subsidiária da Vale. Alguns dos auto-fornos destas estão a apenas 80 metros das casas da comunidade, muitas morte por problemas de saúde acontecem freqüentemente no  local, além de inúmeros acidentes com crianças nos lixões de dejetos das já onde varias destas morreram queimadas devido o contado com o lixo.

 

São tantos crimes que é difícil se dizer qual é o mais grave. O presidente do conselho tutelar de Açailândia  relatou um fato chamado de “os Meninos do Trem”. São crianças que pegam o trem cargueiro para se deslocar de um Município a outro, muitas destas crianças sofrem maus tratos por  seguranças da Vale. Há relatos em que empresa chega a entrega os meninos para a policia que acabam por ficar preso nos municípios até serem deportado par seus locais de origens.

 

A Vale pelo mundo

 

A Caravana foi uma preparação para o I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale que ocorrerá durante os dias 13 a 15 no Rio de Janeiro. O Encontro reunirá representantes de diversos países onde a Vale esta instalada. Um destes é Moçambique onde a empresa está desde 2004 e se preparando   para  explorar carvão mineral. Mesmo ainda em faze de implementação das fabricas já são mais de 1200 famílias já foram diretamente atingidas. “São famílias camponesas tradicionais seculares que estão sendo remanejadas para reeassentamentos sem estrutura alguma e sem nenhuma perspectiva de trabalho”, nos contou Rui de Vasconcelos da Assessoria Jurídica dos Atingidos pela Vale em Moçambique membro da Caravana. A tendência é de que nos próximos anos ao menos 7 mil famílias sejam diretamente atingidas pela ação danosa da Vale. Para o moçambicano o que mais lhe chama atenção é a postura da empresa em não reconhecer os direitos e a soberania dos povos que por lá vivem, “para Vale é como se nosso povo não existisse” reflete Rui Vasconcelos.

 

Protestos

 

Na passagem por Açailândia dois atos públicos foram realizado. O primeiro, no distrito de Piquiá, a população atingida se somou a manifestação contra as siderúrgicas. No segundo ato na entrada da Fazenda Monte Líbano, onde a empresa cultiva eucalipto e tem uma grande carvoaria industrial que vem sufocando com a expedição de fumaça cerca de 1800 pessoas do Assentamento Califórnia,  próximas a 800 metros. O ato pediu o fechamento daquelas instalações. A Manifestação também marcou o inicio de uma luta conjunta  contra a empresa, e como símbolo desta unidade os manifestantes penduraram mascaras simbolizando a resistência a poluição ao mesmo tempo que gritavam o nome de cada País e organização presente na na luta contra a Mineradora.

 

A noite no Assentamento Califórnia peças teatrais e um grande jantar encerrou a passagem da caravana pela Amazônia brasileira.

 

O resumo final da Caravana é de que a meta foi atingida, onde se conseguiu trocar ideias sobre o inimigo comum aos povos representados pelo movimento, se conseguiu trocar experiências de resistência. Outro ponto alcançado é a articulação internacional que terminará com as lutas isoladas contra a empresa, pois o objetivo maior é voz de cada atingido seja uma voz ouvida em qualquer parte do mundo.

 

 


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 17:26:40
[] [envie esta mensagem] []


09/04/2010

Caravana percorre Maranhão e Pará denunciando as injustiças da mineradora Vale

Por: Reynaldo Costa

 

Organizado pelo O Movimento “Justiça nos Trilhos” a Caravana dos Povos em Maranhão e Pará, foi lançada com objetivo de mostrar as injustiças da mineradora Vale e lutar em favor das comunidades atingidas pelos grandes projetos da empresa no Pará e em outros estados brasileiros e ainda preparar terreno para a realização do I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, a se realizar de 13 a 15 de abril no Rio de Janeiro

 

A Caravana que se iniciou na Vila dos Cabanos, em Barcarena no Pará na última terça-feira, 06, assou no dia de ontem por Marabá, no sul do Estado com destino à Açailândia, no Maranhão.

 

Por onde a Caravana passa protestos pacíficos e plenárias são realizadas com intuito de debater o modelo de mineração aplicado pela Empresa. Em Açailandia no Maranhão neste sábado, a partir das 09 h,  uma grande audiência publica será realizada na câmera de vereadores do município. E a tarde o grupo segue para o Assentamento Califórnia, organizado pelo MST, onde haverá mais manifestações, devido o Assentamento ter uma longa luta contra projetos da vale que vem prejudicando a vida da comunidade.

 

O “Justiça nos Trilhos” que surgiu durante o Fórum social Mundial de 2009 em Belém-PA, é coordenado pelos Missionários Combonianos, Fórum Carajás, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Sindicato dos Ferroviários (Pará, Maranhão e Tocantins), Cáritas (MA), Central Única dos Trabalhadores (CUT-MA), GEDMMA– Grupo de Estudos de Direito Internacional do Meio Ambiente.

 

Outra Caravana está sendo realizada em Minas Gerais reunindo povos das regiões sul e sudeste do Brasil. Todos se encontraram no Rio de Janeiro durante o Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale.


Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 13:31:24
[] [envie esta mensagem] []


05/04/2010

17 de abril: Dia Internacional de Luta Camponesa

 

Por: Reynaldo Costa

Desde 1996, o dia 17 de abril, é celebrado por movimentos camponeses de todo o mundo como o Dia Internacional da Luta Camponesa. A data foi escolhida em razão do massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido na mesma data, no Pará, onde 19 trabalhadores rurais foram mortos e outros 69 mutiladas, quando realizavam um protesto em Eldorado dos Carajás. Hoje 14 anos depois, mesmo com evidências da participação de latifundiários no massacre, nenhum dos responsáveis foi condenado.


Por conta da impunidade em relação a estes outros inúmeros assassinatos de trabalhadores rurais foi instituído o 17 de abril como Dia Internacional de Luta Camponesa. Nesta data a Via Campesina, organização que engloba os movimentos camponeses de todo o mundo, convoca movimentos e organizações sociais a realizar ações diretas, mobilizações, feiras rurais, palestras e conferências, atividades culturais, entre outras manifestações, com a finalidade de homenagear a luta pela terra e os direitos dos trabalhadores rurais.  Este ano essas se realizarão em mais de 30 países, com cerca de 50 atividades.


Metade da população mundial é constituída por camponeses (as) e pequenos agricultores, são estes quem produzem os alimentos essenciais para a vida de todas as pessoas existentes neste planeta. A agricultura não é simplesmente mais uma atividade econômica, ela é o instrumento maior da vida humana, não há registro em nenhum canto deste mundo que algum ser humano viva sem usufruir, por menor que seja, de um fruto vindo da terra. Isto torna legitimo a luta dos trabalhadores rurais pela terra, pois são eles que produzem o que temos em nossa mesa em cada refeição.


Mesmo com isto o campo brasileiro é desvalorizado, os índices de analfabetismo aumentam nas áreas rurais, o acesso a educação básica cada ano é mais difícil e o ensino superior existe apenas como um sonho. O atendimento médico e os serviços públicos estão sendo precarizados, e quem mais sofrem com isto são as mulheres e as crianças.


Do outro lado os governos despejam dinheiros em obras gigantescas predadoras de um imenso ecossistema como as hidrelétricas, que deixaram centenas de milhares de índios, ribeirinhos, pescadores e camponeses órfão de sua de suas terras de seu trabalho. Despejam ainda bilhões de reais na produção de especeis exóticas como o eucalipto que num alimenta e nem gera emprego para os povos de nossas regiões.


No Maranhão quase metade de população vive no campo. Cerca de 50% desta sem nenhuma estrutura desde energia elétrica a estradas  tudo falta. Dos cercas de 400 assentamentos rurais no estado nenhum tem escola de ensino médio. Mas o Governo do Estado fechou acordo com a Suzano Papel e Celulose que utilizará cerca de 200 mil há de terras em nosso Estado, resumidamente são as terras onde estão o povo que produz o alimenta o nosso de cada dia. Em 6 meses de atuação no baixo parnaiba cerca de 300 famílias já estão sendo atingida pelo seu empreendimento, mais de 10 mil há de vegetação nativa já foram derrubados pela empresa.


Os camponeses do Maranhão e do mudo clamam por socorro e sua única saída é por os pés em marcha, é lutar. É neste sentido que acrescentamos aqui a importância do 17 de Abril. Este é um momento de resistência camponesas, resistência daqueles que produzem a vida. 



Escrito por MRLA - Amazonia Livre!!! às 13:01:38
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
       
   
Histórico

    OUTROS SITES
        A HISTÓRIA DO ASSENTAMENTO CALIFÓRNIA
      Jornal Brasil de Fato
      Telesur TV
      Notícias de Cuba
      Visitem: CLARAZETKIN
      REBELDE 97.6 FM
      JUVENTUDE CUBANA
      MST
      Noticias do Planalto
      A Vale é Nossa
      Blog do Plínio de Arruda
      Editora Expressão Popular
      Radio Agencia NP
      Le Monde Diplomatique Brasil
      Cinquentinha
      Carlos Hermes
      Carlos Leen


    VOTAÇÃO
        Dê uma nota para meu blog