A mobilização, que reuniu movimentos sociais, estudantis, sindicais, igrejas, parlamentares, municipais, estaduais e federais, iniciou com uma grande caminhada pelo centro da cidade de Imperatriz, a segunda maior do Estado
A mobilização, que reuniu movimentos sociais, estudantis, sindicais, igrejas, parlamentares, municipais, estaduais e federais, além de vários prefeitos da Região Tocantina- que compreende o sul e sudeste maranhense- iniciou com uma grande caminhada pelo centro da cidade de Imperatriz, segunda maior do Estado. Com apitos e palavras que diziam “chô satanás Sarney nunca mais”, “meu voto é minha lei, nunca mais Sarney!” a população mostrou sua indignação contra a oligarquia que pouco fez pela região. “São 30 anos que Sarney não pisa em Imperatriz”, recorda Valdinar Barros, Deputado Estadual do PT.
No ato político, realizado na Praça de Fátima, principal da cidade, lideranças partidárias e de movimentos sociais agitaram e denunciaram o momento pelo que passa o Maranhão, fazendo uso da palavra. O deputado estadual Valdinar Barros (PT) preparou a multidão dizendo que “se Roseana assumir quem a tirará não será o TSE será o povo e debaixo de pau”. Já Domingos Dutra, deputado federal questionou: "Como quatro pessoas podem cassar o voto de mais de dois milhões de pessoas"?
No ato político, o governador Jackson Lago fez inúmeros questionamentos, como: "Por que o Maranhão é um dos Estados mais pobres? Quem tirou do pequeno lavrador o acesso à terra, ao trabalho e à produção? Quem foi que tirou o pequeno produtor do campo e o empurrou para as periferias das cidades? Quem é o culpado de milhares de trabalhadores deixarem nosso Estado para procurar trabalho em outros Estados?". Lago se dirigiu aos manifestantes questionando a trajetória de 40 anos do Grupo Sarney. “É isto que eles querem, que o Maranhão continue sendo campeão de analfabetismo e mande seus filhos trabalhar em outros cantos” disse.
A caminhada em defesa do Maranhão uniu em um só cordão, forças políticas de ideologias historicamente opostos na região, e transformou-se na maior manifestação dos últimos 14 anos. “Uma manifestação igual a esta só foi vista em Imperatriz em 1995 quando um ato chamado de Revolução de Janeiro ocupou a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, derrubando o Prefeito Salvador Rodrigues”, recorda um estudante universitário.
Para o pescador Joaquim Ribeiro, um dos presentes da manifestação, “Roseana já não pisa em Imperatriz, mesmo que assuma o governo num consigo imaginar como ela será recebida em nossa cidade".
No segundo turno das eleições de 2006, Roseana recebeu apenas 23% dos votos em Imperatriz, enquanto Jackson Lago obteve 76%. As manifestações contra a decisão do TSE continuam e muitas outras estão agendadas para outras cidades e para a capital, onde uma acampamento mantido por movimentos sociais já chega a 20 dias. Uma marcha que se iniciará no próximo dia 22 percorrerá mais de 200 km até a capital, mobilizando e refletindo a população sobre a situação política do Estado.
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